Período de reflexão.



BAM!💥 Volte-face na cara da patroa.

Só assim, de fininho, para arrumar as hierarquias e meter a pessoa no lugar dela.

Foi preciso mostrar ao mundo a minha Pausa, para o período voltar a correr. E agora? O que faço com este monstro que criei?

Fui apanhada à traição, sem penso, sem papel, sem gravata, numa casa de banho que só de entrar podemos engravidar.

O meu destino estava traçado: sacudir energicamente todo o ramalhete feminino, tal Beethoven, o São Bernardo babado, e deixar a lei centrífuga afastar a maior parte do embaraço para longe da minha decência. Ou isso ou andar o resto do dia com uma bolsa marsupial de recheio frio e dramático, fazendo-me passear pela cidade de braço dado com o húmido desconforto de servir uma dose de pipis marinados em vinha d'alhos entre as pernas . 

Arre Mafarrico, Belzebu, Malfadado… O bastardo voltou. Mais vale bastardo que nunca. Depois de 4 meses sabáticos, o período retorna a casa em toda a sua glória e em toda a sua cólica.


Rebobinemos:

DWZZZZZEEEEEP ZNHWAAAAAAHHHP ZGNHEEEEEC ZGWWAAAAHHHHK
(tentativa de grafia sonora do efeito rewind)


Vai o blog abaixo. Para aí o teleponto! 

Cancela o after e volta a vestir as cuecas, se fazes favor.
Ah, e devolve a embalagem de Tena Lady à prateleira da higiene íntima feminina e acamados geriátricos. 

O lubrificante, mantém. Darei bom uso, nem que seja para conseguir entrar no metro do Marquês à hora de ponta.


E de repente, sou adolescente outra vez. 

"Ups, i did it again!" - ‘Miss colagénio 2003’. 


A cena é: enquanto a menstruação rolar, a engrenagem hormonal segue o seu ritmo ordeiro em velocidade de cruzeiro e os sintomas físicos ficam em fila de espera. Fez-se um snooze à menopausa.
Mas, chega de falar de vocês, dava-me jeito falar sobre mim, desta descoberta pessoal e intransmissível que é o DESABRUXAR 🔮✨. 

Fazer-me santa e demónio, pelar as cascas de surro contemporâneo e deixar a mulher em bruto suar pelos poros. Há aqui um novelo de herança ancestral que tem muitas linhas para amanhar. Quero coser esta pele de retalhos à carne vermelha que visto por baixo. Sou feiticeira de trapos vivos, maestrina do tempo e tambor que canta o chão que ouves uivar debaixo dos pés. Bicho em gestação, criatura, queria tudo, elaborado engenho biomecânico de misteriosa trama. Mulher Eufêmea, corpo terra, massa cinzenta, com ciência, alma, sonho sideral… E mamas.
Há coisa de 3 anos, tinha eu uns 42 e já era uma medricas. Sempre fui. Descobri cedo a minha vocação para temer…

 (continua depois do diálogo)


Srª Pública 👩‍🏫 - Filha única? Ponha-se na fila para o guichê do trauma. Já preencheu o impresso ‘Para Nada’? Já tirou a senha d’ ‘A sua  vez’ de ser esquecida? Pronto. Então, está no bom caminho. Agora é ficar quietinha e esperar que não aconteça absolutamente nada na sua vida.


 Eu - 🤷‍♀️


Aproveito este rol de apartes para pedir desculpa pelas histórias que nascem descontroladamente debaixo dos sovacos desta narrativa. Eu sei que são muitas. Eu sei que são compridas e muitas vezes de fraca relevância. Mas ficam avisados que não as raparei!
Um dia ainda vou matar aquele único senhor no mundo que é antigo na atenção e no rigor, e por isso, respeita a apneia que um aparte de prosa exige, e fica-se-me ali. Finado. De Pausa na mão. Sem saber o fim.

(continua aqui) …

Então, tinha eu 42 anos, despida, diferente para o espelho, fitando as pregas de volúptia previamente identificadas e devidamente mapeadas, para monitorizar o seu tamanho, a fazer as poses que me deixam mais feliz sexy fine no meu fato justo de origem. E eis que, quando trouxe os olhos para a região norte, reparei que os meus mamilos não estavam iguais a si mesmos. Pareciam deslavados. Tristes. Debutados. Mas o curioso é que eu nunca os lavo juntamente com a máquina de roupa de cor. Tenho o cuidado de lavar à mão com o resto das partes delicadas.
Entrei em pânico!! Suores frios. Uma chicotada de medo a roer-me espinha acima. Aquele terror absoluto que se aninha no peito, mesmo por trás das memórias do liceu.
- É cancrooooooo!!!!! Estou fodidaaaaaaa!!!!! Ai a minha vidaaaaaaa!!!
O meu namorado fez o favor de segurar o barco e ir discretamente perguntar ao Dr. Google, só para aliviar a tensão. Foi aí que descobriu que um dos sinais da pré-menopausa pode ser precisamente a descoloração dos mamilos. Preferia anal bleaching, mas não me queixo. Tudo o que não seja cancro para mim é um piquenique à beira mar..

Mesmo assim, fui fazer um check it out tira teimas ao verdadeiro doutor, para ver se tinha as mamas boas. Confirmou-se. Está clinicamente comprovado que tenho as mamas boas.
E é com este dado importante que embrulho mais um devaneio, directamente do meu interior para o vosso ecrã cheio de dedadas. Um relato impresso em escarlate vivo, [IT’S ALIIIIVEEEE!] que me alivia as cólicas próprias da inquietação do ser. Mulher. Em. Pausa. Dramática.

Façam os possíveis para vir à próxima sessão de abandalhamento sem lei, onde vou bater a portas desconhecidas, abrir janelas da alma e escarafunchar em mais alguns refegos recônditos da minha profunda mulheridade. Venham agasalhados porque é capaz de  fazer corrente de ar.

Lemo-nos na próxima pausa. Até lá, é aquele fluxo regular.


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