Amor em tempo de cólicas.
É impressão minha ou a vida tornou-se um loop infinito de TPM com direito à mais refinada cólera e requintes de malvadez?
Um filme gore polaco série Z (daqueles com potencial zzZZZzzzzzzZZ) e sem legendas. Como vou eu entender a mensagem do realizador?
Acordo de sobrolho franzido. A primeira cara que vejo é a minha fronha zangada carimbada na almofada a lembrar-me que tenho de rosnar ao mundo, não sei bem porquê. O mundo lá saberá. Ralho com as almofadas por não cumprirem o seu dever de me embalar o sono. Mordo os calcanhares ao meu namorado e roo-lhe as cartilagens do pensamento, enquanto organizo o meu e decido quem vou culpar hoje pela minha alma descarnada. Ainda não me levantei e já trago a mochila carregada. E este sobrolho teimoso que ainda não decidiu despir o pijama de desconfiança…
Ando cansada de ter sonhos com produções dignas do melhor budget de Hollywood. Levam-me todos os recursos energéticos que esforçadamente armazeno durante uma tarde inteira de petiscos, vinho [para empurrar os petiscos], cerveja [para empurrar o vinho], e uma malga de bocejos que vai muito bem com a natural preguiça de existir.
Tenho reparado que os meus TPMs têm vindo a agudizar. E o tempo de alívio que separa um TPM do outro, a diminuir. Vivo numa máquina de lavar roupa em permanente programa de centrifugação. Como um cão eternamente atrás da sua causa.
Em Bitchy Witchy Mode, como lhe costumo chamar. Deito raios laser dos olhos e sou capaz de transformar borboletas em traças com o meu bafo de fel. Já não sei onde acaba o TPM e começa a Catarina. Será esta a minha verdade? Serei eu uma fofinha besta metamórfica que vive no avesso da vida? Sinto os tentáculos endiabrados do TPM a quererem perfurar a minha pele de princesa bem comportada. Ainda vazo um olho a alguém.
Visto sorrisos bordados a Ponto Cruz! credo! e bebo das manhãs soalheiras de céu limpo e lindo a calma para apaziguar esta fornalha de mulher. Por falar em granda brasa, até que enfim que chegou o Inverno! Finalmente vou conseguir usar as minhas t-shirts!!! Ah! Ah! Ah! (Engajar sorriso técnico de compensação emocional) Que agradável! Tudo o que seja mais que um top de tamanho Dorito em seda fina porosa de leveza molecular é too much. Qualquer paninho a mais em cima desta pele, autêntica placa de indução, é o suficiente para desencadear um vulcão em erupção contínua que só para quando enfiar a cabeça num frapé, entalar dois filetes congelados em alto mar nas axilas ou beber 37 bejecas. Às vezes também ajuda. A esquecer.
É por isso que adoro as tendências Outono/Inverno da menopausa: T-shirt de banda, leque em riste, casaco vestido apenas numa metade do corpo, e assim promovo o meu equilíbrio térmico enquanto o fogo me consome as entranhas.
Tenho para mim que as mulheres nesta fase de transformação são uma fonte de energia renovável desaproveitada. Imaginem desenvolvermos uma tecnologia com a capacidade de absorver e acumular estas ondas de calor que as mulheres em pré-menopausa e menopausa exalam? Podíamos ter carros movidos a afrontamentos, cozinhar com fogo feminino, aquecer os nossos lares com o calor da mulher [Ah! Espera. Isso já acontece
] e acender os holofotes dos estádios de futebol com a energia fotovoltaica proveniente do interior soalheiro de uma tia solteira naquela pausa da vida. Andamos a passar ao lado de uma indústria pujante de hormonas inquietas, combustível inesgotável de um progresso alternativo assente na transformação biológica da mulher que é, em si própria, a transformação do mundo, também. Um mundo em permanente movimento, movido a menopausa.
[Não se esqueçam! ‘Ouviram aqui primeiro’].
Tenho para mim que as mulheres nesta fase de transformação são uma fonte de energia renovável desaproveitada. Imaginem desenvolvermos uma tecnologia com a capacidade de absorver e acumular estas ondas de calor que as mulheres em pré-menopausa e menopausa exalam? Podíamos ter carros movidos a afrontamentos, cozinhar com fogo feminino, aquecer os nossos lares com o calor da mulher [Ah! Espera. Isso já acontece

] e acender os holofotes dos estádios de futebol com a energia fotovoltaica proveniente do interior soalheiro de uma tia solteira naquela pausa da vida. Andamos a passar ao lado de uma indústria pujante de hormonas inquietas, combustível inesgotável de um progresso alternativo assente na transformação biológica da mulher que é, em si própria, a transformação do mundo, também. Um mundo em permanente movimento, movido a menopausa.
[Não se esqueçam! ‘Ouviram aqui primeiro’].
Mas isto da menopausa, parece-me, [cada caso é um caso] anda tudo muito à volta da barriga. O ventre - esse eixo energético, core business de dinâmicas viscerais expressivas com bastantes manifestações ao nível do plano exterior. Casulo de emoções côncavas com materialização convexa. Altos relevos de desconforto que trago sempre comigo em formato funny bag.
Vou dizer-vos como vejo a minha barriga. A minha barriga é um televisor PALplus de 43 polegadas, onde vejo uma série de documentário sobre a narrativa dos meus interiores. E isso, como dizem os iogurtes Activia, ‘vê-se for fora’. Está sempre inchada e é alimentada a ira de Gremlins depois da meia noite. Um quadro vivo sobre os altos e baixos da minha condição de mulher em gestação de uma ninhada de puns.
Toda esta vida que existe dentro de mim tem consequências sintomáticas e é agravada pelo fenómeno período/TPM/pré-menopausa.
São as chamadas cocólicas bucólicas de uma Bolchevique em luta com a sua Perestroika interior. Temática que nos dá entrada directa para o W.C., através de uma tese que me apraz partilhar convosco. Com licença:
<<ANALogia escatológica do modus operandis da vida>>
<<ANALogia escatológica do modus operandis da vida>>
- Viver é como fazer cocó. Sentas-te na sanita e podes começar a fazer força, desalmadamente, com vontade de despachar o trabalho, mas será um esforço prematuro se o cocó ainda não estiver alinhado para vir ao mundo. Mais investidas farás que não darão merda, se não tiver chegado o tempo dela. Até que há um momento em que te distrais com o sorriso trocista do bebé que dá cara à embalagem de toalhetes para o cu, sim, aquela que está pousada no cesto da roupa suja, e eis que ele surge, em toda a sua pujança e glamour, num movimento espontâneo que obedece ao fluir da própria vida. O cocó. Sublime. Traça o seu caminho (ainda bem que tens a limpeza do piaçaba em dia) e, dono da sua própria vontade desfila em todo o seu esplendor como uma obra prima da Natureza. Até parece que vem ensinado com um prumo que o leva direitinho para o oceano mais próximo. Tal submarino de sonar afinado com a lei da vida.
Depois do trabalho feito é tempo de reflectir. Mas primeiro vamos limpar o rabo e arrumar as ferramentas adjuvantes para podermos pensar juntos num ambiente saudável.
[ALERTA PARÊNTESES: Vai daqui um apelo a todas as pessoas cagantes: Por favor, não deixem apenas para o fim da obra o acto de puxar o autoclismo. Promovam um bom em ambiente em Portugal e puxem o autoclismo mal acabem a tarefa. Têm tempo de analisar, orgulhar, tirar conclusões sobre a merda que fizeram e até de se despedirem dela. Mas depois, deixem-na ir. Desapeguem-se. Não fiquem a marinar na atmosfera poluída. Não há necessidade.]
[ALERTA PARÊNTESES #2 <o parêntese do parêntese: Sou como uma grande família. Cheia de parênteses>]
[CONTINUAÇÃO DA NARRATIVA:]
Continuando esta reflexão, espero não ter interrompido o nosso trabalho de grupo, interessa concluir que, ao mesmo tempo que o acto de cagar tem o seu tempo e fluir próprios, convém perceber que todas as investidas traduzidas em esforço e intenção aplicadas com amor e dedicação à arte de obrar, todas elas, embora que aparentemente inglórias, são parte essencial do caminho que o corpo FEZ até ao desfecho triunfal. Um trabalho de equipa e simbiose perfeita entre o destino e o intestino. Esta é magia do cagar em sintonia com a magia do viver.
E assim embrulho mais um presente com amor e cheirinho, de mim para vocês. Desculpem lá qualquer coisinha mas, olha, hoje calhou-vos cocó.
Até à próxima publicação. Espero, com menos cólicas e mais amor. Mais segredos desfraldados, temas desconfortáveis com informação a mais e notas aromáticas imprevisíveis que tanto me aliviam e sossegam o coração.
Lemo-nos na próxima pausa. Até lá, lembrem-se: uns são altos, outros assim-assim, uns são ricos outros parvos, uns gostam de frente outros é mais de esguelha, uns fazem por isso outros fingem que não, uns comem com garfo outros lambem do chão, os homens são isto, as mulheres são aquilo, estes, aqueles e outros são qualquer coisa do género. Mas todos fazem cocó.

Boa prosa... não há mais? 😅
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